Mal passavam das três horas da tarde quando ao acordar, ele resolveu sair da cama. Não porque tinha algum compromisso ou um objetivo específico qualquer, afinal, fome ele não tinha, e os dentes se auto-escovavam, ele achava. Calçou as meias que um dia foram brancas, o tênis que preto sempre fora, e sentou-se no sofá da sala. Viu o próprio reflexo na tela da TV, e se achou barbudo demais, mas não importava. Ainda assim, o tédio o fez levantar-se e ir de encontro ao banheiro. Espuma, espuma, lâmina, corta, corta. Fez só lado direito da face. "E se eu saísse assim?". O estômago roncou, e o homem com meia barba abriu a porta do armário da cozinha. "Miojo de novo não." Não obstante, três minutos depois (nominais), aquele miojo estaria sendo seu cafédamanhãlmoçodatarde. A louça pode ficar suja por mais um tempo. "Por quanto tempo eu consigo trancar a respiração?". Arfffffff, arf, arf, não muito. "E se o destino do mundo dependesse disso? Alguém diria 'Alfredo, a alavanca que desativa o lançamento dos mísseis nucleares fica lá embaixo d'água, você é o único que pode fazer isso!', e eu diria 'Não consigo!'. Bom, provavelmente não vai acontecer." Ficou curioso quanto ao horário, olhou pro relógio de pulso e leu 11 horas. Ficou surpreso por ser tão cedo, pensava ter dormido mais. Olhou novamente e viu o relógio parado, acabou a pilha há meses. Foi ao banheiro e surpeendeu-se com a meia barba, da qual já havia esquecido, e resolveu fazer o resto. Descuido estranho, a lâmina voou pela janela, e a barba continuou pela metade. "Droga." Tinha uma farmácia a umas duas quadras, e lá ele deveria ir. Colocou um sombrero que um amigo tinha trazido do México. "Se é pra sair que nem um louco, vamos fazer isso de maneira apropriada." No caminho, foi atropelado mas não se feriu.